quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

E quando você se vê nas palavras do outro?

Ontem eu li um editorial da Paulinha Bastos no Grandes Mulheres, que resume MUITO BEM o sofrimento de quem está acima do peso dentro de uma sociedade que não olha quem você é, mas quem você aparenta ser. 


Vou destacar esse trecho aqui, porque ele diz muito sobre o que passei e tem voltado a me atormentar recentemente:




"Hoje, vou dizer para vocês o que penso: embora tente diariamente me convencer de que meu corpo não é um problema, para mim ele ainda é (...) Eu me privo de viver muitas situações, vivo cercada por um medo que é só meu e que 90% da sociedade não entende. Não adianta dizer que ter um corpo mais “aceitável” não abre portas, porque abre. Sendo gorda, muitos homens sequer se dão ao trabalho de conversar comigo e me conhecer porque eu não sou a gostosa que vai despertar a inveja dos amigos dele e que o fará sentir o “macho alfa”. Insegurança e algum probleminha de autoestima todo mundo tem, mas quem é gorda passa por algo diferente.

Todos os dias quando acordo e me vejo no espelho, penso que se meu corpo fosse diferente,  poderia ter novas oportunidades de muitas outras coisas. Talvez seja uma ilusão. Talvez um dia eu dê uma boa emagrecida e veja que o problema não era o meu peso (...). Mas sim, o peso é um problema porque ele altera todo o meu comportamento e o meu emocional, ou seja, altera toda a minha estabilidade como pessoa! Eu posso ser inteligente, independente, responsável, divertida e o escambau, mas tenho um emocional de merda – me perdoem a expressão –  porque minha aparência afeta meus comportamentos e isso me prejudica."

O editorial se chama "Onde mora a felicidade?", e pode ser lido na íntegra aqui


Depois de ler isso, eu lembrei de todo o bullying e toda a rejeição que sofri ao longo da vida, e ainda sofro - querendo ou não. Por mais que eu passe uma imagem de segurança para os outros, no fundo no fundo eu sou apenas uma mulher insegura em busca de um pouco de calma, e de aceitação também. Cansei de ser forte o tempo inteiro. Emocional em cacos, trabalhamos com força.


PS: Não pensem que este é um muro das lamentações, mas é apenas um desabafo de alguém que precisa colocar o que aflige para fora. Por isso, esse texto ainda vai crescer muito...

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