Sou uma pessoa observadora.
Sempre que estou a caminho do trabalho, ou da academia, gosto de ver os rostos, as fisionomias, imaginar o que se passa.
Ver demonstrações de amor.
Barracos monumentais - seja por telefone ou mesmo pessoalmente (embora ache meio vergonha alheia gritar com alguém no meio da Rua Augusta no começo da tarde, como eu já vi uma vez).
E ver os olhares. Um ex-namorado sempre elogiou meu olhar. Dizia que "meus olhos falavam tantas coisas", mas de um jeito que eu derretia como manteiga no pão quente.
E realmente, pelo olhar você consegue sacar muita coisa. Seja conformismo, alegria, tristeza, desalento, tédio. Até mesmo olhares sem esperança, como daquelas pessoas que acordam cedo para mais um dia, e não conseguem ver o quanto é bom apenas estar vivo e sentir o sol bater na pele.
E em meio a esses olhares, procuro um que mexa comigo. Não aquele que quer me comer com os olhos, mas aquele que quer me decifrar, me ver como em um aparelho de raio X. Aquele que tem o timing do abraço e do beijo na testa. E que olhe divertido para as mesmas coisas que eu.
Enquanto meu olhar não cruza com seu olhar, cruzo com outros olhares. Talvez com um pouco mais, ou pouco menos, de brilho, mas sempre com a mesma esperança de dias e noites com mais luz.
PS: Definitivamente, até quem tem casco de platina tem um coração molinho, molinho.
Para ler ouvindo: Alanis Morrissette - Thank you - que me deixa com os olhos cheios d'água. E sem motivo aparente.
Olha a vibe "quero um coração batendo junto com o meu" ...(L)
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